pixel facebook

Contexto e comparação relativos à crise 2020

Contexto e comparação relativos à crise 2020

Contexto e comparação relativos à crise 2020

Muitos dizem que o passado é a maior fonte de lições. Mas será que, no caso desta crise 2020, é realmente possível se espelhar nele para prever suas consequências? O que sabemos é que vivemos um contexto praticamente inédito. Mesmo assim, não é preciso procurar muito para encontrar comparações com a crise 2008 que, na maior parte das vezes, são simplistas. Neste texto, vamos entender um pouco por quais motivos.

Todos estão enfrentando imensos desafios neste ano. As pessoas em seu dia a dia, com suas finanças. As empresas tentando driblar as consequências iniciais da crise e se preparar para as futuras. Esses desafios não são familiares para ninguém, por isso, demandam soluções inéditas. E, para as empresas, adequar-se às demandas do consumidor é algo a ser feito com muito mais rapidez e dedicação do que antes considerado.

Contexto da crise de 2020: uma visão abrangente

Partindo de uma visão macro, sabemos que cada local está conseguindo lidar de determinada maneira com a crise 2020 e suas consequências. Sejam países ou regiões de países, os níveis de desenvolvimento influenciaram muito, em um primeiro momento, no combate ao vírus. E o mesmo já está acontecendo com relação às suas consequências econômicas. Em locais de maior progresso, a mudança foi menos sentida, por ter sido mais suave a transição para a ordem de ficar em casa.

Países com sistemas avançados, como a China, já possuíam infraestrutura para interações não presenciais, compras à distância, transações e pagamentos via celular. Já da perspectiva da comunicação e do entretenimento, as pessoas passaram a usar a tecnologia para se conectar de mais formas, permanecer informadas, se divertir e se emocionar.

Mensurar essas e outras macro mudanças que têm ocorrido é essencial para as empresas reformularem suas estratégias. É especialmente importante ficar atento às variações de comportamento e demanda dos consumidores. Isso consiste em nosso principal norte, já que o contexto de um futuro próximo dificilmente se faz produtivo por meio de comparações. Como dissemos, é muito comum um paralelo com a crise 2008. Por meio de alguns dados Nielsen relativos aos EUA, vamos demonstrar o porquê de essa analogia ser insuficiente.

Crise 2020 e crise 2008: comparação

Assim, vamos começar com a comparação de números de um setor importante para a economia e que foi altamente impactado pela pandemia: a aviação. Com a crise 2020, ele estima perder cerca de $314 bilhões em passagens, pois o número de viagens caiu em 95%. Já com a crise 2008, a U.S. Airlines reportou um rombo de $14 bilhões de dólares e de 6% em sua demanda por viagens. A diferença é imensa. Se pararmos para pensar, naquela época, ninguém estava vivendo restrições que impediam viagens. Mas, desde o último abril, 9 entre 10 pessoas ao redor do mundo passaram a viver essas restrições.

Comprar online, smartfones e entretenimento

Outro aspecto a ser considerado é o hábito de comprar online. Em 2008, apenas $3,75 bilhões foram gastos em compras online de alimentos e bebidas nos EUA. Isso corresponde a menos de 1% do valor atual. Os americanos gastam hoje $70 bilhões no segmento e $435 bilhões em vendas via e-commerce.

Mais um quesito importantíssimo para se comparar a crise 2020 com a crise 2008 é a adesão aos smartfones. Em 2008, apenas 17% dos americanos possuíam um. Em 2020, essa porcentagem cresceu para 81%. E se considerarmos a faixa etária dos 18 aos 29 anos, temos uma porcentagem de 96% de usuários. As vendas mobile representaram somente $ 2 bilhões em 2009 contra $208,13 bilhões atualmente. Além disso, 48% dos usuários de smartfones se interessam por utilizar sistemas de reality shop num futuro próximo. Por isso, aplicativos estão fazendo a diferença agora.

Já do ponto de vista do entretenimento, a mudança é grande também. As pessoas pautam muito de seu lazer dentro das plataformas de streaming disponíveis, cada vez mais completas e diversificadas. Para se ter uma ideia, o Netflix surgiu em 2007 com um catálogo de cerca de mil títulos. Hoje, os americanos têm acessos a mais de 64 milhões de títulos via streaming. Desde a ordem de quarentena, houve um aumento de 60% nos acessos a esse serviço. 91% dos americanos possuem a assinatura de pelo menos uma plataforma do tipo e 30% possuem de três ou mais.

Comparação insuficiente

Por essas breves informações, percebemos que as perdas econômicas, os hábitos dos consumidores, em resumo, a forma como vivemos mudou muito em comparação há mais de dez anos atrás. Por isso, a crise 2008 não se aplica perfeitamente para desenhar os impactos e consequências da crise 2020. Ela pode servir como uma linha base para a condução de situações adversas, mas não como parâmetro. O desafio atual exige soluções inéditas e ter em vista algumas estratégias pode auxiliar na hora de traçar o melhor caminho para uma empresa, tendo em vista nossos horizontes possíveis.

 Estratégias para driblar a crise 2020

Abordamos essas estratégias em um texto anterior, mas vamos sumarizá-las abaixo:

– Reestabelecer a relação do consumidor com a marca da empresa. No sentido de recriar uma narrativa própria, tom, posicionamento, para se adequar à situação atual.

– Fazer da saúde e de todos seus protocolos de segurança a prioridade. Os próprios consumidores estão fazendo o mesmo e tendem a se afastar de empresas que não demonstram essa preocupação.

– Preparar-se para oferecer preços flexíveis, uma vez que as carteiras dos consumidores têm se ajustado a rendimentos limitados.

– Considerar como o novo jeito de viver trazido pelas mudanças irá impactar na demanda pelos produtos ou serviços oferecidos.

– Manter a cadeia de suprimentos flexível e ágil.